Publicado originalmente na Revista Valor Digital – Edição de Novembro de 2025
Link da entrevista na revista: https://online.fliphtml5.com/uxpet/kthe/#p=1
Introdução
O bullying é um fenômeno que atravessa gerações, mas ganha novas camadas de complexidade na sociedade atual — marcada pela hiperexposição, pela velocidade da informação e pela fragilidade dos vínculos. Para compreender essas transformações e apontar caminhos possíveis, a Revista Valor Digital dedicou sua edição de novembro de 2025 a uma conversa com a psicóloga clínica Dra. Nanci Gomes, profissional com mais de 30 anos de experiência em psicoterapia.
Nesta entrevista profunda e necessária, Dra. Nanci analisa as raízes emocionais e sociais do bullying, suas manifestações na escola, no ambiente corporativo e nas relações digitais, além de discutir as responsabilidades individuais e coletivas na prevenção deste tipo de violência.
A seguir, apresentamos o conteúdo integral da entrevista, fielmente transcrito, preservando a visão da autora e o contexto original, agora adaptado ao formato de artigo para o site oficial nancigomepsicologa.com.

Entrevista Completa:
RESPEITAR, VALORIZAR A DIFERENÇA E RESPONSABILIDADE
PALAVRAS-CHAVE NO COMBATE AO BULLYING
Nanci Gomes é psicóloga clínica há mais de 30 anos e psicoterapeuta. Desta entrevista, onde se levanta o problema do bullying nos vários ambientes da sociedade, nomeadamente escola e locais de trabalho, decorre a necessidade de se escutar a vítima e o agressor, bem como a necessidade de compreender de onde nasce este tipo de violência e como preveni-lo.
Qual o impacto que o bullying tem, hoje, no espaço escolar?
O bullying sempre existiu, mas ganhou força na era da exposição constante. Hoje, o sofrimento tem visibilidade e escala — torna-se público e permanente. Essa violência fragiliza vínculos, instala o medo e banaliza o outro. Combatê-la não é só aplicar regras, mas resgatar práticas e comportamentos — formar sujeitos capazes de escutar, respeitar limites e reconhecer o outro como alguém com quem se compartilha o mundo.
Em que medida acredita que as redes sociais e a necessidade de ser socialmente engajado contribuíram para a existência deste tipo de violência entre jovens?
As redes sociais transformaram o reconhecimento em moeda afetiva. O sujeito existe na medida em que é visto e aprovado. Nesse cenário, o bullying encontra terreno fértil: a humilhação multiplica-se e o público silencioso legitima a violência. Até o engajamento virou performance — age-se para ser notado, não por convicção. O encontro verdadeiro não depende da exibição pública, ele tem valor em si, fora do olhar das redes.
O bullying não acontece só entre crianças e jovens e pode revestir-se de várias formas, incluindo no contexto laboral, entre adultos. Como identificar e combater esta realidade?
Entre adultos, o bullying aparece como assédio moral, ironias veladas e exclusão simbólica. O poder expressa-se por meio do desprezo e da desqualificação do outro. Identificar exige atenção aos pequenos gestos: interrupções quando a falar, isolamento, piadas que ridicularizam.
Combater passa por criar culturas institucionais que favoreçam o diálogo, a escuta e o respeito aos limites — não basta ter regras, é preciso sustentá-las coletivamente.
Como se deve lidar com as vítimas de bullying e com quem exerce essa violência sobre alguém?
A vítima precisa de escuta e de tempo para elaborar o sofrimento, sem ser reduzida ao papel de “fraca”. Quem agride também precisa de ser responsabilizado, mas de forma que possa refletir sobre os seus atos. O trabalho é trazer o conflito para a fala, criando espaço de cuidado tanto para a vítima quanto para quem causou o dano, reconstruindo vínculos e restaurando a convivência de maneira ética e respeitosa.
Enquanto profissional da área da Saúde Mental, como lhe parece que seria possível solucionar / minimizar este fenómeno?
Não há solução simples. O bullying expressa algo do mal-estar contemporâneo: a dificuldade de lidar com a diferença e com o limite.
Minimizar passa por reconstruir o valor do outro, reforçar vínculos e criar espaços de fala nas escolas, nas empresas e nas famílias. Só uma cultura que valorize o respeito, a diferença e a responsabilidade pode…
Conclusão
A entrevista conduzida pela Revista Valor Digital reforça uma mensagem essencial: combater o bullying não é uma tarefa pontual, mas um compromisso contínuo que envolve educação emocional, vínculos sólidos e responsabilidade de toda a comunidade.
Para a Dra. Nanci Gomes, o caminho passa pela escuta, pelo reconhecimento do outro e pela construção de uma cultura que não apenas puna comportamentos agressivos, mas que forme indivíduos capazes de respeitar limites, acolher diferenças e estabelecer relações saudáveis.
A íntegra da entrevista pode ser conferida na edição digital da revista, disponível em:
https://online.fliphtml5.com/uxpet/kthe/#p=1


